Não quero que estas simples palavras se convertam a um hino de loucura, uma súplica desvairada que corre tanto e não me deixa alcançá-la. Mas é o que é. Então eu paro a correria e logo aceito-a, oferecendo-lhe um chá. Escrevo-te após uma olhada em ti detrás dessa mureta, que lá tu ainda corres caçando borboletas de todas as cores; ou, talvez, depois de um pensamento que se enlaçara em você e recusa-se a sair de boa vontade ou ileso; mas quem sabe depois de um rompimento daquilo que jamais esteve unido, algo como um eu e um você. Escrevo-te forçando um compartilhamento desses sentimentos amontoados, é isso. Mas ainda escrevo-te sem conhecer palavra alguma que me ajude a dizer o que tanto nego a mim mesmo. Escrevo-te como esses outros homens ou mulheres que escrevem para seus amados dizendo-lhe tudo, um tudo que na verdade eles nunca irão dizê-los ao jamais entregar essas cartas escritas com tanto coração. O meu explode por deveras transbordar sentimentos, os mais mudos ou mais gritantes, esses quietos ou esses desesperados, mas com certeza os que sempre escapam e depois voltam na falta de amparo. Voltam maiores, mais triste, mas sofridos e surrados. Eles voltam pelo medo, pela ausência de aconchego, pelo anonimato que os encubro.
Sou o único culpado da covardia desmedida dessa minha alma que súplica um revés, e eu, um peso-morto, apenas lhe dou as costas e continuo a minha sina de escrever coisas que não serão lidas por outros olhos além dos meus… De amar coisas que só serão amadas por esse meu coração transbordante e arrependido de ser…
Eu amo, até mesmo de alma perdida. Até mesmo sem nunca ter sido amado.
— SmtR