Pode ser um quadro barroco, uma dose de conhaque, um buraco, um espelho. Você entra na masmorra, conversa com dragões, mas não resiste a um tiro de flecha, busca a cura pra uma simples doença que nem sabe de onde surgiu. Quando percebe que já foi consumido pela vontade de ser herói, você quer fugir, correr pra algum lugar do deserto, ou do oceano, mas todos os continentes precisam de alguém, toda pessoa precisa de alguém. Você se torna a cura. Não a sua, mas a de qualquer outra coisa. Até da solidão. E quando quem precisa de cura é você, você se solidifica. A brisa te torna uma estátua com olhar perplexo querendo escapar da atenção dos outros. Você acha o caminho pra qualquer lugar, sem destino, como se conjurassem um vórtice dentro do seu cantil que te levaria pra entrada de um mundo distinto. A entrada também é uma saída, às vezes. E o amor também tem um pouco de tudo isso, você só precisa ter uma visão holística.
— Adriano C. - Dialogue Com Seu Pensamento